sábado, 25 de fevereiro de 2012

BEM AVENTURADOS OS PACIFICADORES


Mateus: 5, 9

“... e paz na terra entre os homens a quem ele quer bem.” Cantaram as multidões de anjos na festa do nascimento do menino Deus. Paz... — palavra simples, significado de fácil e universal compreensão. Utopia religiosa para o mundo que só evolui com a guerra e as grandes questões econômicas-diplomatas. Mundo em que a morte nutre a vida e a guerra nutre a paz. A alma humana precisa estar em conflito para encontrar a paz. Fala-se da miséria, da fome, do domínio político e econômico, da escravidão, das crises e interesses econômicos e sociais, como se fossem um conjunto de fatores externos que plasmassem na alma humana o conflito, a insegurança, os temores, o ódio e a revolta, geradores de guerras pessoais e sociais.

Os conflitos, em todos os níveis, desde o indivíduo, a família e os grupos sociais sempre existirão. Os códigos genéticos e o meio ambiente de cada ser humano geram emoções e reações incontroláveis e inevitáveis. Mesmo em nome de Deus o homem — através das religiões — tem matado, destruído o meio ambiente, julgado injustamente o mundo e as pessoas, exigindo lealdade escrava, submetendo os mais fracos e guerreando com os mais fortes, apregoando uma paz alienante, lasciva, lúbrica, torpe, interesseira e cruel.

A paz não é ausência de guerras ou conflitos internos e externos. A paz é um estado de espírito em consequência da descoberta e da consumação do ser, do porvir, das possibilidades existenciais eternas. É a descoberta da vida que não acaba. Ato regenerador divino, que salva a vida da morte revelando a verdadeira paz, a verdadeira segurança, os verdadeiros objetivos da vida.

Os pacificadores são os filhos de Deus. Natureza humana e natureza divina, como em Maria, os pacificadores, utilizando um neologismo, “gestam” o Espírito de Deus em suas almas.  É como se estivessem grávidos do Espírito e vivessem a experiência da eternidade ainda neste nosso “mundinho”. Experimento de uma existência não conhecida, de um sentimento transbordante que pervade todo o ser e, de maneira incontrolável, tenta alcançar seus semelhantes. Os pacificadores são anunciantes incondicionais, promotores da paz, testemunhas de um novo mundo, de uma nova geração, de uma nova possibilidade de vida. Bem aventurados os pacificadores, pois estão em paz e serão conhecidos como filhos de Deus.