Mateus: 5, 6
Vivemos num mundo de injustiças. Nunca estamos satisfeitos com o que temos e julgamo-nos merecedores de maiores favores da vida. Julgamos nossos atos comparando-nos a outras pessoas e, de modo geral, não encontramos motivos para sermos menos beneficiados do que nossos pares. Por outro lado, os homens se agridem mutuamente, gerando danos físicos, morais e financeiros. É para arbitrar sobre essas questões que a sociedade vive sob leis, que visam garantir o direito individual e coletivo das pessoas.
O mundo clama por justiça. Das questões mais básicas da sobrevivência a polêmicas de fórum internacional ou multinacional. Justiça pelo direito de cultivo da terra, justiça pela soberania de uma nação, justiça pelo direito ao pão, justiça para a violência urbana que mata mais do que uma guerra e torna o cidadão refém do crime organizado, prisioneiro em seu espaço residencial como um animal em cativeiro. A sociedade não distingue mais a ação de policias e de bandidos e a indignação pelos desrespeitos aos valores humanos e sociais fazem eclodir do peito o clamor desesperado e muitas vezes agonizante: justiça!
Nesse momento eu paro e medito sobre as palavras de Jesus. Não pode ser desta justiça que Jesus falava; a justiça dos homens. Ele mesmo foi julgado e crucificado injustamente! Talvez a chave para compreendermos o texto não esteja na justiça, mas nas suas conseqüências: a fome e a sede. Ah! O que representam a fome e a sede? Carência de vitalidade, possibilidade de morte, desejo incontrolável de suprir a vida dos elementos que a sustenta, sintoma inequívoco de debilidade física que põe em risco o existir, que gera distúrbios no corpo e na mente. Você já dormiu com muita fome? Não é difícil lembrar-se dos sonhos de uma noite de fome. É uma necessidade tão vital que a própria sociedade garante o direito, nesses casos, de qualquer pessoa se alimentar sem nenhum preço a pagar. A fome não gera clamor e sim ação vigorosa na medida de sua necessidade.
É preciso ter fome e sede da justiça divina para recebê-la com fartura. A justiça divina, que não é cega, mas enxerga cada ser humano em sua alma em sua necessidade vital, em sua sucumbência temporal. Fome e sede da alma são desejos de Deus. De libertação do jugo do pecado e de receber a justiça que emana de Deus: vida plena, liberta e eterna. Bem aventurados os que sentem vontade de viver. Bem aventurados os que não suportam a angústia da morte e buscam a plenitude da vida na mesa farta do Senhor Jesus. Bem aventurados os que não se conformam com o juízo de Adão e buscam em Cristo o restabelecimento da justiça de Deus.
Bem aventurado o homem que se refez em Cristo. Que parte o pão e toma o vinho, saciando seu corpo dos elementos vitais, satisfazendo sua alma e se reabilitando à comunhão eterna de Deus.