sexta-feira, 6 de maio de 2011

SOBRE O BATISMO

Mateus: 3, 11-17.

A História da Igreja tem mostrado a importância do batismo em sua teologia e em sua liturgia ao longo dos anos. Em todas as formas religiosas cristãs o batismo se tornou sacramento de conversão, de iniciação, de mudança de vida, de testemunho de fé. O batismo tonou-se dogma teológico exceto pela sua forma, cujas discussões ainda se ouvem por aí. Aspersão, imersão, infantil, na maior idade, tem gente que chega a escrever livro tentando defender posições e teorias improváveis, quase sempre em defesa da ordem doutrinária. Pessoalmente, cheguei a defender a utilização do spray, pela praticidade e higiene, além de ser recarregável.

A igreja é assim. Perde-se na superfície dos grandes temas, preocupa-se com a forma e não digere a essência. Compreender o batismo não é difícil. Aceitá-lo sob que forma for também não é difícil. No entanto, o batismo de Jesus me aguça o pensamento. Por que Jesus permitiu-se batizar por João Batista? Teria o ato do batismo algo especial? Jesus pretenderia validar o batismo como uma marca sagrada de testemunho de fé? Ou Jesus apenas queria prestigiar o ministério de João?

Jesus de Nazaré se apresenta a João como homem. E como homem vai ao encontro da água, do arrependimento e do perdão. Água que lava, limpa e determina o fim da época da religião formal, legal, coletiva e ineficaz, dando início ao período messiânico. Como Deus no Éden moldou com suas próprias mãos Adão e lhe soprou as narinas, Jesus, homem Deus, por iniciativa própria, vai ao encontro das águas do batismo para inaugurar um novo Éden – a imagem e a semelhança de Deus – a comunhão perdida. O batismo não se sacralizou pelas águas ou pela ação de João, profeta de Deus batizante dos filhos da promessa e sim pela providência divina que inaugura o ministério de Jesus, mas para o encontro de sua missão redentiva.

O batismo como compromisso humano é ato vazio e de pequeno efeito. No batismo de Jesus percebemos mais do que o testemunho dele mesmo ou de João, mas o testemunho de Deus, que responde a necessidade humana de mudança. E o céu se abre e o Espírito de Deus promove festa de luzes e forma corpórea de testemunho que só Jesus percebe e que só um batizando poderia perceber. Deus sempre acreditou em nós. Não podemos enxergar a ação crédula de Deus, que faz festa quando um de Seus filhos o reencontra restabelecendo os vínculos da relação primeira, é impossível discernir um ato psicoemocional do verdadeiro milagre de Deus, pois na nova aliança este momento é muito íntimo, privativo do Deus Trino e de seu filho regenerado, nós.

A reflexão sobre o batismo é reflexão sobre a ação de Deus. Discutir sobre formas e condições é só para quem tem procuração divina com firma reconhecida. E como João, precisamos pregar e batizar sem distinção de pessoas, de culturas e ambientes, na certeza de que somente Deus promove a plena regeneração de seus filhos. E este ato Divino é privativo. Jamais poderemos enxergar.

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