Mateus: 5,4.
Pessoas choram. Choram as emoções que sentem, às vezes boas, outras vezes ruins. Emoções que as atingem, causando desequilíbrio. Choram de dor provocada por uma lesão física, por falta de liberdade. Choram por ausências nessa vida, choram por fome e miséria. Pessoas choram por desilusões amorosas, por insucessos profissionais, por falta de aceitação social. Pessoas choram por todas as vitórias conquistadas, dizem que é o choro da felicidade. Os homens choram por amor e ódio simultaneamente. Seriam todos os chorosos bem aventurados?
Existe o choro motivado por uma agressão pessoal, onde é o indivíduo em particular que é agredido, magoado, ferido em sua estrutura pessoal, cuja causa pode ser consequência de ato ou postura equivocada do indivíduo ou de terceiros. A morte, por exemplo, é causa universal de pranto. Súbita, cruel, definitiva, a morte é sempre uma surpresa que traz em si a dor insuportável da separação, do fim. O choro do agredido encontra em Deus o consolo incondicional. Não existe maior conforto do que o colo divino que nos conforta com um acalanto maternal na medida de nossa dor, enxugando nossas lágrimas e mostrando-nos novas esperanças.
Mas existe um outro choro. O choro dos humildes, dos convertidos. Esse choro não é igual ao outro, pois, ao contrário do primeiro, a causa não está associada a uma agressão pessoal e sim existencial. É o choro sagrado diante da pequenez perversa do homem mesquinho e egocêntrico. É o pranto santo pelas vítimas dos valores humanos temporais. É como se Deus chorasse a destruição, a infelicidade, a ansiedade, a insaciável forma de ser de Sua criação, cuja vocação primeira fora a eternidade num plano espiritual em Sua permanente companhia. Choro de Deus através do homem pelos homens, que não se permitem acolher pela graça divina, que vive o seu curto tempo como se fosse eterno, definitivo e absoluto.
Poucos homens podem chorar o choro sagrado. Ter a capacidade de transcender, pela conversão, os limites do racionalmente correto e amar a humanidade na semelhança do amor de Deus. Ver com humildade a performance humana na arena da vida, onde as vitórias geram morte e são comemoradas até o próximo combate.
Bem aventurados os que choram o choro dos santos, sagrado. Cujo consolo é a graça de Deus manifesta na permanente comunhão. Promessa divina que se renova em cada nova conversão. Bem aventurados os humildes, que choram porque enxergam onde os olhos não vêem, sentem na alma a compaixão que os homens não sentem com a razão, vivem o amor inalcançável pelas pelejas da sobrevivência.
Bem aventurados os humildes, que são capazes de chorar. Eles amam. Amor pleno de Deus, que desvenda a eternidade, promovendo o pranto da compaixão do que é pelos que pensam ser.
Amigo Wagner, muito bom ler esta trilogia das Bemaventuranças. Diante de tantos escritos que se repartem entre o utilitário (prosperidade, auto ajuda etc.) e o técnico (dogmática, eclesiologia etc.), fartamente disponíveis nas redes, é bom um momento de singela, profunda e necessária reflexão.
ResponderExcluirUm abraço,
Jairo