Lucas: 2, 25-34; 40.
Explicar o Natal em uma página
literária não é difícil. Mas existem páginas muito difíceis de explicar o
Natal. Falo das páginas da vida. Vidas que falam de morte, sofrimento, prisão,
violência, infelicidade. Gente incapacitada, cujos movimentos se foram e seus
corpos largados em leitos de hospital dependem de cuidados especializados para
sobreviver. Gente doente, em fase terminal, agonizantes em dor e desesperança.
Gente que mata para cheirar algumas gramas de cocaína. Gente que faz a guerra
para sustentar-se no poder. Gente sem terra para plantar, sem teto para morar,
sem emprego para se sustentar. Da doença à miséria, páginas difíceis de
explicar a redenção, a festa divino-humana, o Natal.
Ah, menino Jesus! Nasceste num
inferno? És produto da imaginação religiosa de um povo carente de esperança? Ou
talvez só alguns consigam festejar-te? Aqueles sadios, bem empregados, de
famílias estruturadas, bons degustadores de vinhos e perus.
Não podem as páginas da vida
explicar nem a própria vida. A vida que conhecemos inicia uma história de
terror e desventuras a cada página, em cada capítulo. Não conseguiríamos
explicar o Natal através de uma página de vida. Ao contrario, explicamos a vida
através do Natal. Pois um menino nos nasceu. E com Ele nasceu o desconhecido, o
não experimentado. A vida! A possibilidade de felicidade independente de pão,
de terra, de teto, de saúde física, de fartura ou miséria. Não conhecemos vida
sem os elementos físicos de nosso planeta, ou sem os elementos psicológicos de
nossa estrutura humana. O milagre do Natal é o milagre da vida. É quebra de
padrão, é transcendência material, física, psíquica e social. É Deus quem
revela, mostra e concede o que não conhecemos: a vida.
As tragédias deste mundo são
deste mundo. Contam as histórias de um mundo órfão por opção. Tristes e
deprimentes histórias. Não falam de vida, falam de morte.
E
neste mundo virado ao avesso, nasce um menino. Imanência divina que revela e
concede a vida, realiza a esperança e planta a felicidade, capacitando-nos à
transcendência física e temporal. E a partir do menino da vida, dessa nova
realidade, renascemos, crescemos e nos fortalecemos, enchendo-nos de sabedoria;
e a graça de Deus é presença permanente sobre nós.
Para todos feliz Natal e muitas alegrias em 2013.
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