Mateus: 5, 13-16
De modo geral, pensamos nas
propriedades do sal e na sua utilidade para fazer um paralelo com as qualidades
do professo cristão. Contudo, proponho uma reflexão em outro caminho. Penso que
Jesus ilustrou seu ensinamento com uma substância preciosa nos tempos antigos.
O sal tinha um valor maior percebido na antiguidade do que nos tempos atuais,
embora suas propriedades continuem sendo as mesmas.
Se considerarmos que o sal está
presente nos oceanos, fonte de vida e de sustento de vida para todo o
ecossistema do planeta, que o sal é um dos elementos essenciais na composição
química dos seres vivos, e seu consumo é indispensável em porções adequadas, e
seu uso se dá tanto pelos animais e vegetais quanto pelos homens. Então
verificamos que o sal é um dos elementos químicos que caracterizam nosso mundo,
nosso planeta, nossa vida.
Somos sal. Somos um produto
bioquímico deste mundo, um composto químico, no qual Deus, com seu sopro, criou
uma alma capaz de transcender a matéria e o mundo, para esperar no infinito e
no imaterial o nosso desejo eterno de vida e amor na companhia do criador.
E a alma, que brilha como luz do
farol de Deus, indica o princípio e o destino da vida. Sal e luz, vida e
destino. Luz em nós, Emanuel, Deus conosco. Em cada corpo, em cada alma o sal
que nos define materialmente como humanos e a luz que distingue nossa alma
desafiando as estruturas físicas, iluminando a eternidade, lugar maior das
possibilidades.
A matéria é a nossa prisão. Somos
sal, humanidade que não se perde, realidade que não pode ser ignorada, não
permitindo abster-nos dos desafios e combates desta vida, antes, exigindo
vencê-los para que não nos tornemos insípidos e pisoteados por esta geração
salgada e sem luz.
Somos
como um cristal de sal que reluz ao sol. Que testifica a grandeza do ato
criador e todas as limitações da materialidade rebelada, mas testemunha na luz
do espírito o desejo maior de Deus.
Como cristão seguidor da Religião Católica não posso fugir da citação de Pe. Antonio Vieira,que em seu Sermão de Santo Antonio aos Peixes afirmou: "O efeito do sal é impedir a corrupção...". Fato é que esta pregação foi feita em 1654. O que me levar a pensar:desde àqueles tempos que o homem já era corrupto. Imagine, hoje, nosso tempo. Assim o sal que salva pode ser o sal que mata, pois somos sal.
ResponderExcluirO sal na terra, quando em grande quantidade não deixa crescer nada. Nenhuma planta cresce onde existe muito sal na terra. A pergunta que faço é como evitar que o sal não impeça o crescimento do homem?
Realmente, na antiguidade o sal era substância muito preciosa. É a origem, por exemplo, da palavra salário, pois em certas culturas remunerava o trabalho, como era o caso, inclusive, dos soldados romanos. O sal realça o sabor dos alimentos e foi muito utilizado para conservar diversos deles, até um período relativamente recente. Na época e lugar de Jesus (Palestina)o sal era obtido nas margens de lagos no deserto da Siria e tinha por características poder tornar-se insosso com o tempo:"Vós sois o sal da terra; mas se o sal se tornar insípido,com que se há de restaurar-lhe o sabor? Para nada mais presta, senão para ser
ResponderExcluirlançado fora, e ser pisado pelos homens", (Mateus 5:13). Quanto a afirmação do amigo Antonio Martins, penso que a corrupção do homem é muito anterior ao Século XVII, vem desde a sua Queda, narrada em Gênesis 3.
Parece-me expressivo que Cristo não tenha afirmado que somos "sal do mar" e sim da "terra", passíveis de perdermos o sabor e sermos lançados fora.
Abs,