sexta-feira, 16 de março de 2012

O SAL DA TERRA E A LUZ DO MUNDO


Mateus: 5, 13-16

De modo geral, pensamos nas propriedades do sal e na sua utilidade para fazer um paralelo com as qualidades do professo cristão. Contudo, proponho uma reflexão em outro caminho. Penso que Jesus ilustrou seu ensinamento com uma substância preciosa nos tempos antigos. O sal tinha um valor maior percebido na antiguidade do que nos tempos atuais, embora suas propriedades continuem sendo as mesmas.

Se considerarmos que o sal está presente nos oceanos, fonte de vida e de sustento de vida para todo o ecossistema do planeta, que o sal é um dos elementos essenciais na composição química dos seres vivos, e seu consumo é indispensável em porções adequadas, e seu uso se dá tanto pelos animais e vegetais quanto pelos homens. Então verificamos que o sal é um dos elementos químicos que caracterizam nosso mundo, nosso planeta, nossa vida.

Somos sal. Somos um produto bioquímico deste mundo, um composto químico, no qual Deus, com seu sopro, criou uma alma capaz de transcender a matéria e o mundo, para esperar no infinito e no imaterial o nosso desejo eterno de vida e amor na companhia do criador.

E a alma, que brilha como luz do farol de Deus, indica o princípio e o destino da vida. Sal e luz, vida e destino. Luz em nós, Emanuel, Deus conosco. Em cada corpo, em cada alma o sal que nos define materialmente como humanos e a luz que distingue nossa alma desafiando as estruturas físicas, iluminando a eternidade, lugar maior das possibilidades.

A matéria é a nossa prisão. Somos sal, humanidade que não se perde, realidade que não pode ser ignorada, não permitindo abster-nos dos desafios e combates desta vida, antes, exigindo vencê-los para que não nos tornemos insípidos e pisoteados por esta geração salgada e sem luz.

Somos como um cristal de sal que reluz ao sol. Que testifica a grandeza do ato criador e todas as limitações da materialidade rebelada, mas testemunha na luz do espírito o desejo maior de Deus.

2 comentários:

  1. Como cristão seguidor da Religião Católica não posso fugir da citação de Pe. Antonio Vieira,que em seu Sermão de Santo Antonio aos Peixes afirmou: "O efeito do sal é impedir a corrupção...". Fato é que esta pregação foi feita em 1654. O que me levar a pensar:desde àqueles tempos que o homem já era corrupto. Imagine, hoje, nosso tempo. Assim o sal que salva pode ser o sal que mata, pois somos sal.
    O sal na terra, quando em grande quantidade não deixa crescer nada. Nenhuma planta cresce onde existe muito sal na terra. A pergunta que faço é como evitar que o sal não impeça o crescimento do homem?

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  2. Realmente, na antiguidade o sal era substância muito preciosa. É a origem, por exemplo, da palavra salário, pois em certas culturas remunerava o trabalho, como era o caso, inclusive, dos soldados romanos. O sal realça o sabor dos alimentos e foi muito utilizado para conservar diversos deles, até um período relativamente recente. Na época e lugar de Jesus (Palestina)o sal era obtido nas margens de lagos no deserto da Siria e tinha por características poder tornar-se insosso com o tempo:"Vós sois o sal da terra; mas se o sal se tornar insípido,com que se há de restaurar-lhe o sabor? Para nada mais presta, senão para ser
    lançado fora, e ser pisado pelos homens", (Mateus 5:13). Quanto a afirmação do amigo Antonio Martins, penso que a corrupção do homem é muito anterior ao Século XVII, vem desde a sua Queda, narrada em Gênesis 3.
    Parece-me expressivo que Cristo não tenha afirmado que somos "sal do mar" e sim da "terra", passíveis de perdermos o sabor e sermos lançados fora.
    Abs,

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