Mateus: 5, 17-42
Dietrich Bonhoeffer escreveu:
“parece ser certo que do convívio dos homens resultam leis que são mais fortes
do que tudo que pretende sobrepujar-se a elas. Por esta razão não seria apenas
injusto, mas também imprudente, desprezar estas leis.”.
Também da relação de Deus com os
homens surgiu uma lei intransponível, que denuncia o pecado, a decadência e a
apostasia do gênero humano da eternidade divina, revelando Jesus como a única e
definitiva opção de salvação. E a lei, por conta das relações sociais,
religiosas e étnicas, fecundou-se de humanismos e caracteres temporais mutantes
conforme a história e os interesses sócio-eclesiásticos.
Deus não se sujeita à lei, pois
não há competente juiz para julgá-Lo. Então a lei nos foi revelada por um gesto
do amor divino, compreensivo e tolerante com as nossas formas de literatura
religiosa. Pois é sob uma forma literária que pensamos e agimos. Somos
prisioneiros das formas e pequenos como conteúdo. E é essa pequenez que valida
a lei e seu “fiel” cumprimento, levando à condição de injustos e imprudentes
aqueles que renegam a herança legal.
No texto bíblico, Jesus resgata
com ênfase as verdades literárias expressas por Deus a Moisés, e vai além,
ultrapassando à capacidade de compreensão de um conteúdo prisioneiro do tempo e
do espaço: fez-se imprudente para mudar
o destino da humanidade. Ofereceu-se como cordeiro, entrou na literatura
religiosa para ser punido por ser Deus e contrariar as leis intransponíveis até
para os deuses.
Jesus não contestou a lei, apenas
cumpriu-a com perfeição, retirando-a da literatura religiosa e inserindo-a na
eternidade, sem limites e formas, sem pesos nem medidas. Resumiu a lei a uma
consciência de amor mútuo entre Deus e os homens, revelando o poder
transformador contido na intenção divina, oferecendo-se como meio de graça e de
vida permanente.
Salve
a lei! Salvem-se da lei.