Mateus: 5, 17-42
As primeiras questões em que
penso são: quem elaborou a Lei do Velho Testamento? O que existe de verdade
divina na lei mosaica e para que serve uma lei impossível de ser cumprida?
A primeira tese é que a lei não
demonstra tão claramente quanto parece ser a vontade de Deus para ser seguida
com rigorosa devoção, antes, expressa um estado de vida. Ausência de Deus,
ausência de Jesus, ausência do elemento divino que compõe a história da vida
eterna e transforma as realidades existenciais. A lei não salva, ao contrário,
condena, gera discórdia, alimenta diferenças sociais e culturais promovendo a
guerra e a destruição da raça humana. É então que associo a lei a um marco
instituído por Deus para testificar ao homem a sua incompetência material,
temporal e existencial, mesmo quando ele tenta promover-se ao sagrado.
A lei é um claro sinal das
impossibilidades, aprisionando o corpo e o espírito humano a regras, formas,
modelos, todos fúteis e levianos para com o sagrado. E a natureza humana parece
vocacionada para estar prisioneira de leis, pois vivemos num mundo de espaços
pequenos, de valores restritos, de pensamentos mesquinhos, em que só o vento
pode ir e vir livremente e desembaraçadamente. Saímos do Éden para criar
padrões divinos que substituíssem a presença de Deus. Criamos divindades
cultuáveis e determinamos quem e o que é mais santo, mais sagrado. E nos
obrigamos a ritos e liturgias, a formas e processos limitantes, restringindo os
poucos espaços, vedando o mundo à própria presença de Deus, mas, matando e
roubando, destruindo nossos semelhantes e o conjunto dos seres que formam o
nosso ecossistema. É pela lei que ás mortes na Palestina não cessam.
Jesus afirma que a lei jamais mudará,
como não mudará o destino da humanidade sem que se vá muito além da justiça dos
escribas e fariseus. Sem que haja uma conversão que instaure um novo reino, um
novo rei, um novo homem e o verdadeiro e eterno Deus. Jesus é o Deus conosco, o
Deus em nós, que imprime na alma um desejo irresistível de comunhão universal,
de tolerância desmedida, de amor transbordante pela vida.
Venha
o Teu reino, onde não existem juízes julgadores de ninguém, onde a vocação
humana é viver além da plenitude dos tempos, onde os escribas dissertam poesias
e fariseus lustram os móveis e a lei é um símbolo do passado, de um tempo que
não voltará jamais.
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