quinta-feira, 15 de outubro de 2015

A Lei – Anúncio Messiânico

Mateus: 5, 17-42

Numa segunda tese, entendemos a lei como uma providência para o anúncio messiânico, pois a Lei de Moisés não foi promulgada com um caráter jurídico, mas com uma clara intenção misericordiosa de Deus para com o homem. Aqui, a questão não é o cumprimento dos postulados legais, mas a clara demonstração da necessidade de uma mudança existencial, uma conversão em fé que gere um novo ser que assuma interiormente novos valores, tornando-se agentes modificadores da sociedade. Pela conversão, a lei sai do papel e se imprime na alma humana, gerando amor, caridade, compaixão e esperança nas ações salvadoras de Deus.

A lei anuncia a Jesus, pois só Jesus pode transformar o gênero humano, quebrando a cadeias de valores da humanidade e alterando por completo o destino e a vocação dos homens. Embora, a lei seja usada pelos homens para julgar e condenar, pois a sociedade só conhece o contexto jurídico da lei, Deus promulga e utiliza a lei como instrumento de denúncia dos equívocos humanos, e de redenção na medida em que é um forte apelo a conversão e a vida eterna.

A impossibilidade do cumprimento da lei, por iniciativa humana, em razão da incapacidade humana de interpretar a lei corretamente, é de pleno conhecimento de Deus, como afirma Jesus: Basta ao homem pensar, pois na intimidade do ser o homem se revela apostatado por inteiro de Deus. A conversão é a única forma de reverter a história. Os Patriarcas judaicos viveram pela fé sem a lei na esperança messiânica do novo reino e de uma grande nação. Sobre o prisma da conversão, também viveram os profetas, repudiando, com oráculos específicos, todas as práticas litúrgicas e legais do povo judeu, demonstrando que os ritos não correspondiam às atitudes geradas por uma verdadeira conversão.

Ainda hoje o cristianismo está impregnado de legalismos e legalistas, que renunciam a Jesus em favor de um sistema de leis e regras sem fim, tendo como característica julgar e disciplinar ou condenar seus semelhantes. O cristianismo assumiu a forma de uma religião qualquer, e os “cristãos” não passam de escravos de regras e normas estranhas a teologia bíblica, tendo como práxis esforços e penitências para agradar a Deus.

A lei não passará, nem será alterada e ninguém conseguirá viver por ela. A lei anuncia o Cristo, única fonte de vida e regeneração, única possibilidade de conversão, de mudança e de liberdade. A fé não faz prisioneiros, mas liberta a vida para o prazer, a felicidade e a eternidade.

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