Mateus: 5, 8
Assisti uma reportagem sobre uma ordem religiosa que se mantém em eterna clausura. Eles se mantêm fora do mundo, fora da sociedade, sem o menor contato com as pessoas e a vida. Nenhum prazer é desfrutável. Nenhum desejo é permitido. Por amor a Deus, vivem uma proposta de vida solitária, cujo objetivo único é estar na presença de Deus.
De modo geral todos têm uma proposta de vida para Deus. Nossas preces são prova disto. Propomos a Deus nossas idéias e vontades, nossos sonhos e esperanças, e, ao final, para garantir a eficácia da prece, incluímos um: seja feita à Tua vontade. Nossas propostas, nossas vidas. Formalismo do pecado humano, necessidade de conversar com Deus oferecendo alternativas as ações divinas. Soluções de gerente que se reúne com o presidente da empresa. Folha de parreira que sugere a solução do problema da nudez.
As multidões sempre têm propostas. A solidão é uma proposta. Conhecemos a Deus por nossas propostas e nossa fé é uma proposta de culto ao Deus que não enxergamos. Não enxergamos porque temos muitas e importantes propostas para Deus. Como enxergar um deus contido em nossas propostas? Como enxergar por detrás das folhas que cobrem nosso corpo e revestem nossa alma?
Bem aventurados os que enxergam a Deus. Eles são limpos despojados em suas propostas humanas. Não escondem seus corpos nus vestindo-se de santidade espúria e inócua. Não fazem esforços para demonstrar competência e talento diante de Deus, antes, assumem sua nudez, seu pecado, sua pequenez, sua vontade de prazeres e seu irresistível desejo de enxergar a Deus. E é esse desejo de Deus que leva a sucumbência nossas propostas tolas, inteiramente temporais, para assumirmos as propostas divinas de vida. Vida eterna. Propostas eternas.
Deus está ao alcance de todos, mas só os bens aventurados conseguem vê-lo na multidão, aqueles, limpos de coração.
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