sábado, 10 de março de 2012

BEM AVENTURADOS OS PERSEGUIDOS


Mateus: 5, 10


O Estado e a religião são velhos companheiros na história da humanidade. Parceiros na defesa das mais legítimas ações sociais e cúmplices nos mais espúrios interesses econômicos. A história é testemunha desta associação, e a Igreja Cristã não é exceção. E, em nome da vontade de Deus, a Igreja age para fazer valer os interesses dos mais diversos grupos do poder político. E os livros sagrados, quando não funcionam como Constituição, influenciam todos os poderes constitucionais, em especial com relação à cidadania, aos direitos e deveres do cidadão.

Foi fundamentado em um código religioso que Jesus foi condenado à morte, foi com a complacência da Igreja que seis milhões de judeus foram exterminados, foi a Igreja Presbiteriana do Brasil quem condenou ao despojamento do Sagrado Ministério muitos pastores, numa caçada às bruxas ocorrida no período da ditadura militar, após o golpe de 1964. Sem falar naqueles que foram denunciados às forças armadas, injustamente, para serem punidos, presos e torturados, acusados de comunistas, sem provas, sem julgamento, sem defesa, por interesses políticos e econômicos, em nome de Deus e da boa prática Presbiteriana.

O reino dos céus não é propriedade das religiões e nem dos homens que vivem sob o jugo das leis religiosas e de suas nações. Como também não é propriedade dos anarquistas, revolucionários, revoltosos ou insubordinados à ordem social.

O reino dos céus é o habitar daqueles que se fazem morada do Espírito de Deus, que olham o mundo grávidos da bondade divina, que falam do Deus que quer amar-nos intensa e eternamente, das possibilidades transcendentes da vida sobre a morte, dos limites do tempo e da eternidade. Ah!... Se soubéssemos que somos o desejo de Deus. O homem de Deus denuncia, por seu testemunho, por sua palavra e por sua vida, as tolas e finitas propostas humanas, sua ineficácia, seus objetivos, valores e métodos, as injustiças sociais presente em todas as sociedades do mundo, promovendo a paz, inalcançável pela iniciativa humana.

Bem aventurado os perseguidos da impiedosa e interesseira justiça humana, bem aventurados aqueles que não se confrontam com Deus, mas antes, se tornam cheios de sua divindade em Jesus Cristo, pois deles é o reino dos céus.

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