sábado, 10 de março de 2012

BEM AVENTURADOS OS INJURIADOS I


Mateus: 5, 11-12


Houve um tempo em que confessar-se cristão protestante era um ato perigoso que colocava em risco a própria vida. Em vários momentos da história registramos a intolerância e muitas perseguições aos cristãos. A reforma do século XVI ampliou e diversificou o foco e o clima das perseguições e o autoritarismo religioso. Até poucos anos atrás registrava-se em nosso Continente verdadeiros cenários de guerra entre católicos e protestantes, vistos frequentemente, em especial, na região nordeste do Brasil. Nos dias atuais o Ocidente vive um tempo de liberdade religiosa nunca visto, e a liberdade de culto integra a maioria dos textos constitucionais, como, por exemplo, em nosso país.

A perseguição a Cristo, no entanto, jamais deixou de existir. Na verdade estamos falando do primeiro conflito do homem contra Deus. Expulso do Éden, primeiro local de campo de batalha e do confronto direto do homem a Deus. A humanidade e em especial as religiões, combatem, desde então, a Palavra de Deus, seus intérpretes e seus profetas. A regulamentação doutrinal, moral e comportamental, a sistematização da teologia, da liturgia e a formulação dos dogmas, fazem do homem gestores das verdades compreendidas acerca de Deus. Não sendo absoluta, a gestão humana falha e induz ao erro muitos fiéis, enquanto novos códigos surgem, ou são contextualizados, na medida em que evolui a capacidade de compreensão da humanidade.

Ao definirmos intransigentemente um modelo de gestão divina, militarizamos a Santíssima Trindade com objetivos, estratégia e poderio bélico capaz de defender-se e atacar as nossas “alucinações”, inimigas da humanidade e de Deus. É neste contexto que surgem as injúrias dos religiosos contra os santos de Deus, os pacificadores, que se tornam perseguidos por religiosos guerreiros, apologistas das verdades religiosas, odiosos da liberdade, do prazer, da felicidade, do amor, da piedade, da tolerância e da eternidade.

O preço da fé é a convivência com as bobagens proferidas pelas serpentes da vida religiosa, suas bocas venenosas e a crueldade com que atacam e matam os santos de Deus. Bem aventurados os injuriados, grande será a recompensa nos céus.

Um comentário:

  1. Excelente! Vale a reflexão como seria bem melhor a vida se o homem respeitasse o outro, não por força de lei, mas por respeito e admiração.

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