Mateus: 5, 11-12
Das profundezas do abismo, reino
das trevas, de espaços pequenos, incômodos, perigosos, inseguros, contemplo a
imensidão do cosmo. E os brilhos de milhares de estrelas festejam a Tua
presença, Senhor meu Deus. Sinto uma brisa refrescante e perfumada. E o sol,
que de lá não se vê, resplandece aquecendo-me o corpo e a alma. Posso sentir a
espuma do mar esparramando-se em branca e suave areia, num convite às
brincadeiras de verão, que não existem nos abismos, sérios, frios e escuros.
Posso ver cores, flores, frutos e sentar-me à mesa para saborear pão e vinho
fartamente servido.
A vida nos abismos é dependente
de um pragmatismo existencial insuportável. Sem cheiros, sem brilhos, sem
calor, sem pão e sem vinho. Cegos, em luta pela sobrevivência, esforços e
suores, gladiadores vorazes lutando pela existência. Lugar das desconfianças,
inseguranças e insatisfações, onde não conquistar significa não ter e, não
ganhar, significa perder.
Das profundezas do abismo, reino
das trevas, eu vivo a nostalgia do porvir, a esperança do passado e a plenitude
do presente. E do confronto das experiências de vida nasce o conflito, a
incompreensão e a agressão. No mundo das profundezas não existe lugar para a
poesia, para a contemplação, para o belo, para o eterno. O mundo das
profundezas é o lugar das articulações, das guerras, das conquistas, lugar de
ações enérgicas e eficazes. Onde o belo é derrotado pelo prático, a poesia
pelos gritos de ordem, a contemplação pela ação e a eternidade pela morte.
E os conflitos são inevitáveis.
As perseguições fazem parte da estratégia de defesa de valores questionados
pela fé; esperança e amor.
Bem
aventurados os injuriados e perseguidos pela loucura da fé, pela insanidade de
suas esperanças, pela incredulidade nos valores deste mundo, pelo imperdoável
amor aos seus algozes. Regozijai-vos e exultai, porque são grandes as vitórias
eternas, e a vida será compartilhada da presença do Senhor Deus, nosso terno e
eterno Deus.
A tradução da Nova Versão Internacional diz assim:
ResponderExcluir“Bem aventurados serão vocês quando, por minha causa, (Disse Jesus), os insultarem, os perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês. Alegrem-se e regozigem-se, porque grande é a sua recompensa nos céus, pois da mesma forma perseguiram os profetas que vieram antes de vocês.”
Amigo Wagner: Não estou entendendo a paráfrase que está postada neste blog. Como pode ser explicada?
Apenas ao final, onde você escreve:
“Bem aventurados os injuriados e perseguidos pela loucura da fé, pela insanidade de suas esperanças, pela incredulidade nos valores deste mundo,” aí sim, me parece claro que a reflexão é coerente com o texto do Evangelho citado e com os demais ensinamentos que o Apóstolo Paulo escreveu.
Paulo de Tarso Ribeiro
Caríssimo amigo,
ResponderExcluirPropositadamente, só posto temas ligados a Teologia Bíblica, já que o blog é lido sei lá por quem e não gostaria de ofender convicções religiosas de ninguém.
A explicação da sua dúvida está na junção de vários atos ou ensinamentos diretos de Jesus. A loucura do mundo é evidente; os valores também; os algozes, estão na Cruz de Cristo: “perdoai Pai, eles não sabem o que fazem”. Os algozes deste mundo são os religiosos que incitam a disciplina como forma de amor cristão; contudo, por traz do discurso, esta um projeto político e econômico de poder. É o caso da Igreja Primeva até os dias de hoje e de todas as religiões pretendem ter num só pensamento teológico, uma só interpretação doutrinária. Digo que são os verdadeiros inimigos da da Fé Reformada e se colocam contra o livre exame das Escrituras.
Se Deus fizesse questão que só houvesse uma forma de interpretação teológica, então a Bíblia conteria um texto inteiramente positivista e Deus não viria ao nosso encontro e sim nós iríamos ao encontro Dele, o que é inaceitável na Teologia Bíblica.
Obrigado pelo comentário, Deus te abençoe!
Abraços,
Wagner Winter
Belo texto amigo. Faz-me pensar e, de carona, ousar alguma reflexão que registro aqui.
ResponderExcluirA leitura evoca um sentimento de nostalgia do Paraíso Perdido que carregamos na alma, a ânsia pelo religamento do elo rompido com Deus. Vivemos o dilema do estar no mundo sem ser do mundo, o que torna esta vida, paradoxalmente, rica, complexa e também sofrida.
Perdidos e desligados, somos movidos pela ânsia tornada desejo, insatisfação em busca do nunca alcançável, vontade projetada por nós e para nós mesmos, num mundo feito o espelho do ego. Ofuscados, tateamos guiados por nossas ilusões e ambições, e quase tudo o que conseguimos sentir é o perene reflexo daquilo que não nos basta. Cristo é quem reata o elo. Para além do espelho aponta-nos a Glória, faz-nos possível o eterno. E vem o Espírito guiar-nos pelos paradoxos do mundo e tornar-nos a esperança possível no mundo.
E diante de tanta Misericórdia e Graça, os resquícios de uma herança recente, que nos faz partir muitas das vezes de nossas próprias e parcas certezas, atordoa-nos insistente com a pergunta: onde e como a mais verdadeira das religações? Admito não ter resposta, apenas sei que também naquilo que Melquisedeque trouxe a Abraão!
Que Deus o abençoe ricamente!
Abraço,
Jairo
Amigo Wagner, muito boa discussào!
ResponderExcluirJesus Cristo não disse que religião alguma salva. Eu creio que o que Ele pregou foi:
1. “Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanecer em mim, e Eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.” (Jo 15:5)
2. “Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.” (Jo. 16:33)
Assim, eu nào creio que a soluçào para o problema humano está nas religiòes e sim, de relacionamento com o Senhor.
Se eu tentar entender as coisas espirituais somente pela minha razào, ou por meio dos dogmas religiosos, eu não chegarei a lugar nenhum.
Eu tenho que crer nas promessas das Escrituras, para entào experimentar aquilo que Jesus ensinou, e daí entender, ainda que limitadamente, por experimentá-lo, como ele me ama e nops ama. David ensinou: “Provai, e ve-de que o Senhor é bom.” (Sl. 34) E Ele era um homem ligado com Deus.
Concordo plenamente com o Jairo, de que vivemos pela Graça e misericórdia de Deus.
Concordo também quando ele diz: “Perdidos e desligados, somos movidos pela ânsia tornada desejo, insatisfação em busca do nunca alcançável, vontade projetada por nós e para nós mesmos, num mundo feito o espelho do ego.”
Assim, como somos corrompidos totalmente pelo pecado, só há uma chance, a de buscarmos o sentido e a realidade da vida em Cristo, mediante o relacionamento que podemos ter com Ele, não por meio de nenhuma religiào. E aí me encho do combustivel necessário para viver, porque “o Espírito de Deus nos assiste em nossa fraqueza.” (Rom.8:26)
Até porque esta experiência de vida faz isso: “nos gloriamos nas própias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança.”
Abraços,
Paul Ribeiro
Que tal? Será fácil seguir esta fórmula?
ResponderExcluirPara mim não é fácil, mas o fato é que com isto vou adquirindo maturidade espiritual, porque o nosso processo de santificaçào segue, até o Dia do Senhor chegar.
Assim, É pela manifestação real do PODER DO EVANGELHO vivido, que vivemos.
O Apóstolo Paulo diz: “Certamente, a Palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, os que somos salvos, é o PODER DE DEUS. “ (1 Co 1:18) “Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo nào o conheceu por sua prórpia sabedoria, aprouve a Deus alvar os que crêem na loucura da pregaçào.” (1:21)
Entào, eu me encho de esperança quando o Senhor Jesus diz : “Tenho-vos dito estas coisas para que o meu gozo esteja em vós, e o vosso gozo seja completo.”
Embora a batalha que se trava dia a dia entre a minha carne e o meu espírito é forte, (de que Paulo muito bem nos ensina), eu sempre clamo ao Senhor para que me tire das minhas anxiedades e tristezas, me livre do mal, porque Ele nos prometeu vida, e “Vida em Abundância.”
E para viver assim, eu tenho que buscar fazê-lo somente pela FE, e viver pela FE não é fácil, mas é uma questào de exercitar este dom espiritual, e assim posso ter certeza que aquilo que não vejo, nem sou capaz de entender acontecerá comigo, de acordo com as promessas de Deus, porque as promessas do Senhor são firmes, não só para a eternidade, mas também, enquanto aqui estou de passagem.
Wagner disse: “A loucura do mundo é evidente; os valores também; os algozes, estão na Cruz de Cristo. E tudo isto, para a lógica do mundo (que talvez ainda está à busca de soluçào religiosa) é LOUCURA, porque “Dizendo-se sábios tornaram-se loucos...” como diz Paulo.
E eu, amigo Wagner, não me preocupo de ofender a ninguém, falando da VERDADE ABSOLUTA do EVANGELHO, porque aquelas coisas que Jesus falou e mencionei no início, do Evangelho segundo Joào, não dependem de interpretação, porque são muito claras.
O Apóstolo Paulo disse, e eu o sigo nisto: “Eu nào me envergonho do EVANGELHO, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê...”
Eu nào tenho poder de convencer ninguém, mas o Espírito de Deus é quem o faz, como todos sabemos.
O meu papel é falar da verdade absoluta do Evangelho de Cristo, e daí, cabe a Deus abrir os olhos e os ouvidos espirituais nossos, para que nos convençamos que dependemos Dele para viver, para entender o seu amor e a sua Graça, ainda limitadamente, mas o bastante para passarmos por aqui buscando experimentar o que ele nos prometeu.
Como Jó, eu havia ouvido falar do Senhor, mas agora O vejo com os meus olhos, porque compreendo que não era por meio da religiào, mas sim pela intimidade que Ele me permitiu ter, que todas as vezes que estou triste, frustrado ou o que seja, clamo a Ele, e Ele me ouve.
Davi o experimentou, e ensinou: "Provai e vede que o Senhor e bom."
Eu gosto muito da teologia, mas na verdade, teologia é coisa que todo mundo faz. Por exemplo: Quando Jó, diante de toda a desgraça que lhe caiu na cabeça, afirmou: "O Senhor deu, e o Senhor tirou," (Jó 1,21b), Jó fez teologia. Quando a mulher cananéia respondeu a Jesus, dizendo: "Sim, mas até os cachorrinhos comem das migalhas" (Mt 15,27b), também ela fez teologia.
Assim, eu gosto da teologia que parte
da “praxis”, vai `as Escrituras, e depois volta à “praxis”, sempre em forma de círculo, porque aí temos a oportunidade de testar se a nossa teologia está baseada nas Escrituras, ou não.
Desta maneira, corrigimos as distorções e influências do mundo no pensamento humano e assim, fugimos do relativismo do mundo, da política, da sociologia, e nos fixamos nos valores imutáveis da Palavra de Deujs.
Abraços,
Paul Ribeiro